Philipp Schiemer, presidente da Mercedes Benz do Brasil. Foto: Rafael Arbex / Estadão

Gabriely Araujo/Especial para o Estado
CEO na América Latina da Mercedes-Benz e presidente da empresa no Brasil desde 2013, Philipp Schiemer afirma que um dos grandes aprendizados que um jovem que está entrando no mundo corporativo precisa ter é de que o trabalho só faz sentido se ele tem em perspectiva o benefício do cliente. Ao mesmo tempo, ele afirma: “Um bom líder é aquele que tem a capacidade de ouvir e conversar sempre com o consumidor, funcionários e parceiros”.
O executivo será um dos participantes da 3ª edição do programa CEO por um Dia, realizado pela Odgers Berndtson, empresa global que atua no segmento de recrutamento e seleção de executivos. A iniciativa selecionará 22 estudantes de graduação do penúltimo e último ano, que em setembro irão acompanhar integralmente a rotina do principal dirigente de uma grande corporação. O programa tem apoio da PDA Internation al, Estado, Machado Meyer Advogados e Centro de Carreiras da FGV Eaesp.
Para Schiemer, fazer parte do projeto será uma chance de dividir experiências. Ele diz que a participação mostra que a Mercedes está criando a cultura de trazer o jovem para perto das lideranças. “Gostaria de ter tido essa oportunidade quando jovem, não só com um CEO, mas com uma pessoa com um nível geral da empresa”, diz o executivo, que é formado em Administração de Empresas pela University of Cooperative Education de Stuttgart, na Alemanha.
De acordo com o dirigente, o estudante que acompanhar seu dia na sede da Mercedes Benz em São Bernardo do Campo terá uma experiência completa, desde a conversa com funcionários, passagem pela produção e contato com o consumidor.
Há 15 anos no Brasil e há mais de 20 anos no setor automotivo, Schiemer acredita que os maiores desafios para o jovem universitário na adaptação ao mercado de trabalho não mudaram desde quando ele começou no mundo corporativo. “O grande desafio é se adaptar a uma empresa grande, que tem outra realidade de uma escola ou universidade.”
Ele diz que, o mais importante não é pensar em qual cargo se deve ocupar, mas sim e na convivência com diferentes setores. “É bom, no início da carreira, pelo menos na minha visão, pensar menos no cargo que você pode ocupar e mais nas experiências que você atingir dentro da empresa.”
Ele afirma, no entanto, que uma das mudanças das últimas décadas foi a flexibilização do modo de gestão. “Antes, uma empresa funcionava com um modelo muito hierárquico. O mundo de hoje nos negócios não permite mais essa formalidade, temos de ser muito mais flexíveis nas nossas próprias estruturas, para que se diminua a distância entre os dirigentes e os jovens que estão entrando.”
Para o CEO da Mercedes o Brasil tem desafios na educação e na formação, mas existem boas universidades que formam profissionais qualificados. “Aqui na Mercedes nunca tivemos problemas de achar talentos. Muitos jovens também já vêm com uma experiência internacional, e já entram com uma cabeça mais aberta para mudanças.”
Ele também atribui essa capacidade de adaptação ao mundo digital. “O jovem tem mais facilidade e entendimento sobre as novas tecnologias. Eles têm muitas chances de ter sucesso sabendo utilizá-las.”

Ralph Schweens, presidente da Basf. Foto: Claudio Belli / Basf / Divulgação

Já para o presidente da Basf para a América do Sul, Ralph Schweens, participar do CEO por um Dia será uma forma de desenvolver novas ideias. “A formação do jovem é muito importante para nós. Fazemos muito para conhecê-los porque, afinal, eles são o futuro da empresa. Podemos ter trocas de ambos os lados. Saio sempre com novas ideias quando converso com eles”, afirma.
Para o executivo, um profissional em início de carreira deve pensar em sua performance e saber que ele sempre está em avaliação. “Além de planejar três passos adiante, é muito importante ter foco no momento e gostar do que está fazendo. Alguém sempre estará olhando se você está desempenhando bem sua função”, diz.
Raph afirma que é fundamental para o jovem ter um visão ampla de uma organização, ocupando várias posições, além de pensar em ter uma carreira internacional.
Formado em Administração de Empresas pela Universidade de Mannheim, na Alemanha, Schweens iniciou carreira na Basf em 1990 como consultor de marketing. Ele já atuou pela corporação no México, Alemanha, Bélgica e está desde 2013 no País. Dentro da multinacional alemã, ele já trabalhou desde setores estratégicos até na área de vendas, tendo contato direto com o consumidor final.
“Se você não está aberto a fazer outras coisas, não há como se desenvolver em uma empresa grande, de perfil global. Uma experiência em outro país ajuda não só a empresa, mas também o desenvolvimento pessoal”, afirma.
O CEO também elogia a formação do jovem brasileiro e conta que as duas últimas promoções dentro da Basf foram de funcionários do País. Schweens destaca, ainda, que a empresa têm dado importância à diversidade na busca de novos talentos. “ Temos cerca de 50 brasileiros em todo mundo, não só em nossa sede na Alemanha, mas também nos EUA, Espanha e até na Ásia. Estamos pensando na participação de pessoas que são de diferentes países e na contratação de mulheres. Já temos uma vice-presidente, e isso há quatro anos. Quando você está procurando por pessoas, todas devem ter chances de ser um novo talento.”

Comentários