Claudio Bergamo, CEO da Hypermarcas. Foto : Kiko Ferrite / Hypermarcas

Cláudio Marques
Um dos 22 dirigentes participantes do programa CEO por um Dia, o presidente da farmacêutica Hypermarcas, Claudio Bergamo, afirma: “Cada dia que eu passo aqui (na empresa) é um aprendizado válido por um MBA”. A frase refere-se aos desafios de comandar uma grande companhia da área da saúde, e dá uma ideia do que o estudante que for seu “sombra” poderá ver e aprender.

O CEO por um dia é um programa criado pela Odgers Berndtson, que atua no segmento de seleção e contratação de executivos e tem apoio do Estado, PDA International, Machado Meyer Advogados e Centro de Carreiras da FGV Eaesp. Os sócios da Odgers vão selecionar os 22 estudantes que acompanharão durante um dia inteiro a rotina do dirigente de uma grande empresa.

Bergamo acredita que grande parte das pessoas que pretendem seguir carreira em administração tem o sonho de ser CEO. “Penso que (o dia com o CEO) pode ajudar a pessoa a ter certeza se é aquilo mesmo que ela quer.” A respeito de sua rotina, ele diz: “Passo 30% do meu tempo em reunião”.

Para ele, não há mais espaço, hoje, para o líder centralizador. “Estou sempre com gente, gosto de ouvir várias pessoas antes de tomar uma decisão. Eu gosto de decidir com consenso, ouvindo vários lados. Não gosto de impor decisões.”

Para Bergamo, é importante que os jovens talentos tenham “indignação construtiva”. “É uma pessoa que está indignada, mas procura a melhor forma ou alternativa de como fazer as coisas, não importa o que seja, mas tem de buscar a melhor solução de forma construtiva. Isso resulta que ele tem de saber trabalhar em equipe, tem de saber ouvir a opinião dos outros, dar sua opinião, mas também ouvir.” E acrescenta: pensamento criativo e conectividade também são características importantes em um jovem talento.

Com 11,5 mil colaboradores, a Hypermarcas é líder nos segmentos de antigripais, analgésicos e estomacais, dentre outros. E dona de marcas tradicionais como Benegrip, Engov, Rinosoro, Epocler, Estomazil, Atroveran, Alivium e Tamarine.

Outro participante do programa, o CEO da Reed Exhitions Alcântara Machado, Fernando Fischer, diz que na companhia há “obsessão com pessoas, com atração e desenvolvimento de talentos”. Por isso, ele pretende mostrar ao estudante a importância das pessoas. “Colocar para ele como tratar pessoas, no sentido de resolver problemas, inovar, crescer e entregar resultado.”

Fernando Fischer, da Reed Exhibition . Foto: Rafael Arbex / Estadão

Fischer também acha importante que o executivo busque o equilíbrio com a vida pessoal. “Vou quebrar um pouco a cabeça para pensar de que forma eu consigo passar para o estudante, em um dia, tanto a respeito da importância das pessoas e como os imprevistos podem acontecer e, pelo lado pessoal, que temos de nos dedicar ao nosso bem-estar e à família, para poder entregar resultados.”

A Reed promove feiras e eventos, principalmente para empresas, mas também abertos, como o Salão do Automóvel. O executivo diz que o segmento está “mudando demais”. “Isso traz a necessidade de uma cabeça diferente, de uma geração diferente e ele tem uma cabeça muito diferente”, acrescenta, referindo-se à importância de jovens talentos para a empresa.

Ele reconhece as peculiaridades das novas geração e seus integrantes. “A expectativa deles é outra, o tempo deles é outro, tanto de promoção quanto de execução de uma tarefa, a monotonia bate mais rápido para eles. Então, é sim uma geração diferente que temos de aprender a tirar o máximo possível.”

Fischer diz que também pretende ouvir o jovem que for acompanhar sua rotina. “Quero escutá-lo e saber como ele vê cada um dos problemas ao final de uma reunião. Qual é a avaliação dele? O que ele faria? Penso que essa troca é importante.”

Presente em 40 países, a Reed realiza mais de 500 eventos no mundo, pelos quais passam cerca de 7,5 milhões de pessoas. No Brasil são cerca de 40 eventos de 27 diferentes setores da economia, com cerca de 1,2 milhão de visitantes. A Reed faz parte do Relx Group, que trabalha com informação e fatura quase US$ 9 bilhões, sendo que a Reed responde por US$ 1,8 bilhão.

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