Paulo Serino, CEO do Grupo Marista Crédito: Julio Cesar Glodzienski / Grupo Marista

Márcia Rodrigues / Especial para o Estado
Saber conciliar a vida profissional com a pessoal, valorizando a família e dividindo o seu tempo com atividades que lhe dão prazer são as lições de sucesso de dois diretores que participarão do programa CEO por um Dia: Paulo Serino, de 48 anos, CEO do Grupo Marista, e Enrique Orge, 42 anos, CEO da Gomes da Costa.
O programa CEO por um dia é realizado pela Odgers Berndtson, empresa global que atua no segmento de recrutamento e seleção de executivos, com apoio do Estado, PDA International, Machado Meyer Advogados e Centro de Carreiras da FGV Eaesp. Vai escolher 22 universitários para acompanhar um dia inteiro de trabalho do dirigente de uma grande empresa.
“Não existe carreira de sucesso com uma família destruída”, diz Serino, que faz questão de reservar alguns dias da semana para levar as suas filhas à escola. “É um período curto, mas é importante e muito significativo ter esta troca com elas.”
Serino começa o seu dia na academia – faz atividade física cinco dias na semana. “Se calhar de o estudante ir à empresa no dia que eu faço corrida, ele terá de correr comigo”, diz.
O diretor afirma que não está preparando uma agenda especial para receber o participante. “Ele vai acompanhar realmente um dia da minha vida, que pode variar muito, já que o grupo atua em três segmentos: educação básica, superior e saúde. Também participará de reuniões de rotina e específicas.”
O dirigente diz que quer transmitir valores importantes e que fazem toda a diferença no comando de uma empresa. Segundo ele, os principais deles são a gestão de pessoas e o trabalho em equipe. “Cada vez mais, o mercado demanda inovação e empreendedorismo de forma colaborativa. Afinal, ninguém faz nada sozinho. Às vezes, alguém que é prodígio em um ponto de vista técnico, precisa ser trabalhado para crescer nos relacionamentos pessoais e nas atividades feitas em grupo de forma colaborativa”, comenta.
Ele diz que no Grupo Marista, que tem 12 mil funcionários, a governança é muito bem trabalhada. “Nós percebemos que a governança deve estar bem alinhada, já que nosso negócio engloba mais de um segmento.”
Atualmente, o grupo tem a PUC-PR, Colégios Maristas, Marista Rede de Solidariedade, FTD Educação, TEC PUC – Curso Técnico Ensino Médio, Centro Universitário Católico de Santa Catarina, Hospital Marcelino Champagnat, Hospital Universitário Cajuru, Pergamum Sistema Integrado de Bibliotecas. Somando colégios e universidades, há 70 mil alunos matriculados.

O CEO da empresa Gomes da Costa, Enrique Orge. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Orge, da Gomes da Costa, também acredita que o sucesso de uma empresa depende do trabalho em equipe e do bem-estar de seus funcionários. “Ele precisa ter vida pessoal e prazer no que faz para conseguir atingir bom desempenho profissional.”
O estudante que for acompanha-lo, também começará o dia fazendo atividade física. Ele promete que o participante vai acompanhar de perto sua forma de gerir a empresa e a equipe.
“Assim que eu piso na empresa, passo pela indústria para saber como foi a produção do dia anterior, depois eu acompanho o desempenho da área de vendas, leio os jornais do dia e participo de reuniões com o CEO mundial ou outros diretores.”
Para Orge, além do domínio técnico, um profissional precisa pensar “fora da caixa”, ser flexível e se adaptar ao que o mercado deseja. “Deve ter a consciência de que a tecnologia que usou nesta semana pode não servir no próximo mês.”
O CEO afirma que vai mostrar o tipo de profissional que quer ao seu lado. “Ele precisa ter domínio técnico, ser inovador, flexível e um bom companheiro. Quem se engaja com os amigos e com a empresa é o tipo de pessoa que eu quero ao meu lado.” Atualmente a Gomes da Costa, indústria de alimentos, tem 2,2 mil funcionários trabalhando no Brasil e na Argentina, região comandada por Orge. No mundo, ela soma 5 mil.

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