Veronica Pricoli Scheel com o presidente da Natural One, Ricardo Ermírio de Moraes. Foto: Verônica Scheel/Arquivo Pessoal

Estudantes de graduação do penúltimo e último ano, interessados em participar da 3ª edição do programa CEO por um Dia, podem efetuar inscrição online a partir da 1h desta segunda-feira, dia 5 de junho, no site www.ceox1dia.com.br .

O período de inscrição terminará em 31 de julho. Serão selecionados 22 universitários, que em setembro irão acompanhar integralmente a rotina do principal dirigente de uma grande corporação. “Os alunos terão uma experiência inédita e irão viver uma situação que muitos executivos mais seniores nunca viveram”, diz Luiz Wever, CEO da Odgers Berndtson, que organiza o programa.

 A companhia é uma das líderes globais do segmento de recrutamento e seleção de executivos e realiza o programa há oito anos em países como Espanha, Portugal, África do Sul, Canadá, Alemanha, Inglaterra, Finlândia e Emirados Árabes Unidos.

No Brasil, a Odgers Berndtson conta com a parceria do Estado, PDA International, Machado Meyer Advogados e Centro de Carreiras da FGV- Eaesp.

Diretores da Odgers (a partir da esq.) Roman Santini, Maria Eugênia Bias, Ademar Couto, Luiz Wever, Luciana Azevedo e Marcelo Mandeli. Foto: Sergio Castro/Estadão

O CEO da Odgers ressalta que os jovens participarão de um dia de gestão no comando de uma empresa com grande visibilidade de mercado. “Eles terão a chance de assistir qual é a real missão, função e agenda de um CEO. Queremos desmistificar a ideia de que o presidente de uma companhia é uma pessoa que só fica dando ordens e participando de reuniões”, diz.

“Os CEOs são pessoas que participam estrategicamente, pessoalmente e culturalmente da gestão do negócio, exercendo grande liderança todos os dias nas empresas que comandam”, acrescenta Wever.

Na pratica. Verônica Pricoli Scheel participou da edição 2016 do programa. Era estudante de engenharia de produção na Unicamp e acompanhou um dia de trabalho do CEO da Natural One, Ricardo Ermírio de Moraes. “Ele é muito aberto, me deu grande atenção e contou bastante a respeito da sua experiência profissional”, conta.

Hoje, a jovem é trainee de engenharia na Volkswagen do Brasil e comenta como a participação no CEO por um dia ainda influência sua vida profissional. “Aprendi que o trabalho em equipe, sem competição ou omissão de informações entre os colegas, torna o ambiente transparente, colaborativo e agradável. Além disso, um presidente não faz nada sozinho e depende de todos trabalhando em prol do mesmo objetivo.”

Verônica afirma que também aprendeu que o respeito dos colaboradores por seu gestor se conquista por meio da competência e conhecimento.

A jovem ressalta que o CEO é o exemplo máximo na empresa. “Ele é o porta-voz que tem de convencer os outros que deve-se apostar em certa estratégia, e isso irá ocorrer, desde que ele seja realmente respeitado.”

A trainee afirma que a humildade e proximidade do CEO com os funcionários, como viu na Natural One e como ocorre, segundo diz, na Volkswagen com o CEO David Powels, é fundamental para o desenvolvimento das organizações.

Expectativa. Wever conta que a primeira edição do programa, ocorrida em 2015, teve oito participantes. “No ano passado, foram 16. Nesta edição, teremos CEOs de 22 empresas.”

Segundo ele, a expectativa para este ano é receber inscrições de, aproximadamente, mil alunos de mais de 60 instituições de ensino. “O primeiro filtro reduz esse número para 50 a 60. Estes, passam por teste psicométrico feito com ferramenta do PDA, um dos nossos patrocinadores. Após esse teste, restarão 30 finalistas, que serão entrevistados pessoalmente pelos sócios da Odgers, ou por meio de vídeo conferência, caso residam em outros Estados.”

De acordo com ele, os selecionados que tiverem necessidade de viajar terão as despesas com o transporte e estadia cobertas pela empresa participante que irá receber esse aluno.

Critérios. Além de estar cursando o penúltimo ou último ano da graduação, outros critérios serão usados para analisar o perfil dos estudantes.

“Buscamos jovens que tenham competências de liderança, fundamental para quem deseja ser líder em médio e longo prazo. Essas competências incluem: comunicação, planejamento, ética, estratégia, visão de negócio e liderança. Nossa missão é tentar achar o CEO do futuro”, conta.

O CEO da Odgers diz que as empresas participantes terão oportunidade de manter contato com a nova onda de talentos que estão nas universidades.

“O Brasil que conhecíamos até dois anos atrás morreu. A empresa que imagina que as coisas voltarão a funcionar como era há dois anos vai desaparecer.”

Wever diz que tanto a Odgers quanto as demais empresas, estão reaprendendo a reconhecer como são os talentos que estão florescendo. “Neste momento de gestação de um Brasil novo, esse tipo de contato é importante para os departamentos de gestão e RH, para que saibam como são essas pessoas que virão nas próximas levas de capital humano.”

CEO da Alpargatas desde 1997, Márcio Utsch, um dos participantes do programa CEO por um Dia, afirma que na visão de longo prazo, uma das coisas mais relevantes que deve ser pensada é que quem estará no comando do Brasil dentro de 20 anos tem hoje entre 10 e 20 anos de idade.

Presidente Alpargatas, Márcio Utsch. Foto: Mário Castello

“Em 2037, esses jovens terão entre 30 e 40 anos e estarão decidindo os nossos destinos. Nesse contexto, dispor de tempo para estar perto de alguém dessa geração e ajudá-lo a decidir sobre sua carreira, mostrando como é a gestão de uma organização, é fundamental para que essas pessoas se coloquem de maneira real no mercado. Esse é um dever social importante.”

Utsch conta que já participa do programa Empresário Sombra, voltado para alunos do ensino médio. “Gosto de ajudar a direcionar corretamente essa garotada, para que eles possam fazer escolhas certeiras e, dessa forma, possam comandar da melhor forma possível o nosso País”, afirma.

O CEO diz que pretende mostrar como é um dia completo em sua vida. “Vou explicar que o tempo de um executivo pode ser dividido entre coisas urgentes e compromissos assumidos com antecedência.”
“Sobre esses dois aspectos, acho que há outros dois que são ainda mais importantes. Primeiro, pensar no futuro da empresa. Isso inclui saber avaliar para onde está indo o mercado, para onde estão indo os concorrentes e como inserir a empresa na vida das pessoas.”

Outro aspecto importante, segundo ele, é pensar em gente. “Dessa maneira, divido o dia em quatro etapas, pelo menos de forma teórica, já que na prática não acontece bem assim, sempre é preciso ajustar.”

Segundo ele, um executivo deve ter em mente que o seu dia deve ser dividido da seguinte forma: 40% do dia tem de ser dedicado às pessoas, 40% ao futuro da empresa, 10% aos compromissos e 10% às emergências. “Assim, é possível gerir bem o tempo”, afirma.

Utsch diz que é preciso ter metas definidas. “Mesmo não sendo possível cumprir 100% delas, a sensação de não ter cumprido é boa, porque nos move para atingirmos o que queremos.”

CEO da Schneider Eletric, o engenheiro Cleber Morais, conta que começou sua vida profissional na IBM. “Quando entrei, a empresa tinha um programa interno parecido com o CEO por um Dia. Na época, passei quinze dias com o presidente da empresa, atuando como uma espécie de assessor. Essa experiência está gravada na minha memória até hoje.”

CEO da Schneider Eletric, Cleber Morais. Foto: Gabriel Biló/Estadão

Segundo ele, participar do CEO por um Dia é uma forma de retribuir isso, permitindo que esses jovens também tenham esse tipo de vivência.”

Morais conta que ocupa o cargo de CEO há 14 anos, com atuação em quatro diferentes empresas. Na atual, está há um ano e dois meses.
Ele considera que o fato de a Odgers ter o programa na esfera global, faz dele uma iniciativa sólida desde o momento da seleção. “Eles procuram talentos com o objetivo de oferecer uma experiência interessante. O programa tem uma marca muito forte e é diferenciado, esses são os principais atrativos para a nossa adesão.”

Segundo ele, a Schneider tem entre suas estratégias trabalhar com novos talentos. “Preparar líderes de futuro é uma preocupação nossa. Temos programas internos voltados aos jovens. A atração de talentos está na nossa essência.”

Morais afirma que a empresa também tem grande preocupação com a diversidade, considerada sadia para uma empresa global que quer ser inovadora. “Falo de uma estrutura globalizada, com 170 anos de história 170 mil funcionários. Então, precisamos trazer talentos para mantermos esse ciclo e essa longevidade”, diz.

Ele conta que pretende apresentar ao estudante um dia completo de sua na agenda, bem como a cultura da empresa.

“Quero falar dos pilares que sustentam a vida de um executivo. Um deles é a empresa, local no qual passamos boa parte do dia. O outro é o aspecto família. Neste cargo é preciso ter esses pilares bem estruturados. O terceiro pilar é o aspecto pessoal do executivo, porque ter hábitos saudáveis também contribui para o sucesso na carreira.”

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