Eliane Sobral/ESPECIAL PARA O ESTADO
As inscrições para o programa CEO Por Um Dia foram prorrogadas em uma semana e vão até 9 de julho. Os estudantes selecionados terão a oportunidade de acompanhar um dia da agenda do CEO de grandes empresas. “Tivemos de prorrogar as inscrições porque a demanda está muito acima das edições passadas”, diz Luiz Wever, presidente da unidade brasileira da Odgers Berndtson, organizadora do programa. As inscrições devem ser feitas exclusivamente aqui, n o site do CEO Por Um Dia.

O número de empresas participantes no Brasil também é recorde entre os 14 países onde acontece o CEO Por Um Dia. Neste ano, são 23 companhias de segmentos tão diversos quanto farmacêutico, produção de lápis ou de laminados de alumínio.

Entretanto, há algo em comum entre os presidentes destas companhias: eles querem aproveitar a oportunidade para abordar temas que lhes são caros, como código de ética e de conduta, mais conhecido no mundo corporativo como compliance – nome derivado do inglês “to comply”, que agrupa os mandamentos que devem ser observados pelos empregados de uma empresa.

Para estes CEOs, o que fazer e, principalmente, o que não fazer vai muito além de uma cartilha disponível no site da companhia ou de mandamentos pendurados em um quadro. “Não se pode maquiar preços, não se pode fazer pedido que não tenha orçamento”, exemplifica Marcelo Tabacchi, CEO da Faber-Castell. “Somos uma indústria farmacêutica e tomamos muito cuidado com a confiança e a reputação da nossa marca”, completa Renata Campos, CEO da indústria japonesa Takeda, que tem em seu portfólio marcas como Neosaldina e Eparema.

Exemplo. A explosão dos casos de corrupção nos últimos anos pode dar a impressão de que aqui é pior que em qualquer outro país. Mas não é bem assim. E o Brasil tem exportado exemplos na disseminação das boas práticas corporativas.

Com mais de 130 anos de mercado, em junho de 2017 a Takeda fez uma revisão de seu código de conduta e envolveu mais de 20 profissionais, de vários dos 70 países em que está presente. A política é global, mas o Brasil tem se destacado como bom exemplo de divulgação das boas práticas, segundo Renata.
“Temos um hub digital onde as pessoas contam como resolveram casos com base no nosso código. De 200 casos, 30 são do Brasil”, diz ela. Junto com seu time, Renata promove a “compliance week” com debates, exposição e workshops para todos os 1.900 funcionários.

Outra iniciativa brasileira está prestes a ser exportada para os países onde a também centenária Faber-Castell opera. Por iniciativa de Marcelo Tabacchi e seu time, foram criados dois comitês, um de investimentos e outro de RH. O primeiro avalia onde e como a empresa vai gastar seu dinheiro e o segundo cuida para que sejam tomadas decisões isentas sobre pessoas. São dois membros do conselho consultivo, um representante da matriz alemã e o CEO global. “Tratam de promoções, de remuneração, entre outros temas”, diz Tabacchi, que não faz parte do comitê. “E é bom que eu não faça parte, porque são decisões que também me dizem respeito”, diz Tabacchi.

Para ele, disseminar a política de compliance é um dos principais papéis de um CEO. “Ética tem de ser um estilo de vida, não uma política que todos são obrigados a seguir”, afirma o executivo, há 17 anos na Faber-Castell.

Imagem . Há 38 anos trabalhando na empresa – que até 2005 fazia parte da Alcan –, Tadeu Nardocci, CEO da Novelis, passou boa parte de sua trajetória profissional trabalhando fora do Brasil, e esteve em pelo menos cinco países diferentes. “Nós brasileiros somos muito flexíveis e criativos, mas perdemos um pouco em disciplina e as coisas precisam andar juntas”, destaca ele, acrescentando que este perfil seja típico dos latinos em geral e não necessariamente dos brasileiros em particular. “Eu tinha uma reunião na Suíça que começava às 10 horas. Dez minutos antes, todos já estavam na sala. Em Milão, havia gente chegando 10h, 10h15, sempre com um problema de trânsito ou algo parecido”, lembra.

De acordo com Nardocci, jovens que se preparam para entrar no mercado de trabalho precisam unir criatividade com foco e um apurado senso de responsabilidade em fazer bem feito. O executivo diz que a empresa mantém uma canal direto para fornecedores, que é gerenciado por terceiros, e está lançando outro só para clientes. E é uma iniciativa brasileira.

Nardocci tem especial preocupação com uma possível contaminação, no público mais jovem, da imagem corporativa em geral. “Até por tudo o que vem acontecendo, os mais jovens precisam saber que as empresas são sérias, em sua maioria são éticas e dão suporte para que se faça negócio de forma ética.”

Participando pela primeira vez do programa CEO Por Um Dia, o executivo diz que este tema terá destaque na agenda que vai cumprir com o estudante selecionado a acompanhar sua rotina por um dia.
O Programa CEO Por Um Dia é uma iniciativa da consultoria britânica Odgers Berndtson e no Brasil o programa é realizado em parceria com Estadão, PDA International, Machado Meyer Advogados e Centro de Carreiras da FGV Eaesp.

Marcelo Tabacchi, presidente da Faber-Castell: “Ética tem de ser um estilo de vida, não uma política que todos são obrigados a seguir”